"Atualmente, não existe, talvez, nenhuma privação maior infligida contra a raça humana nos países civilizados e livres do que a necessidade de escutar sermões. Ninguém nesses países possui anualmente, a não ser um clérigo pregador, a autoridade de obrigar um auditório de se sentar em silêncio para ser atormentado. Ninguém, a não ser um clérigo pregador, pode se deleitar em lugares-comuns, truísmos e não-truísmos, e ainda receber, como seu privilégio indisputado, a mesma atenção respeitosa como se dos seus lábios saíssem palavras de eloquência apaixonada ou de lógica persuasiva. Se um catedrático de Direito ou de Física subir do palco num salão de conferência e derramar palavras insípidas e frases vazias e inúteis, as derramará sobre cadeiras vazias. Se um advogado tentar falar sem se expressar bem, terá raras oportunidades de falar. a recomendação do juiz terá de ser escutada obrigatoriamente somente pelo juri, pelo réu ou pelo carcereiro. um membro do Parlamento pode ser eliminado por vaias ou votos. Os vereadores podem ser boicotados. Mas ninguém consegue se ver livre do clérigo pregador. É ele o enfado dos nossos tempos [...] o pesadelo que perturba o repouso dominical, a incumbência que sobrecarrega a religião e torna desagradável o culto prestado a Deus. Não somos obrigados a entrar na igreja! Não, mas desejamos mais do que isso. Desejamos não ser obrigados a ficar fora. Desejamos, e nisto estamos resolutos, desfrutar do consolo da adoração pública, mas também desejamos fazer isso sem uma quantidade de tédio que a natureza humana comum não consegue suportar com paciência; desejamos, na hora de sair da casa de Deus, não ter aquele desejo ansioso de fugir - que é a consequência comum dos sermões vulgares".
Anthony Trollope na voz do personagem reverendo Obadiah Slope, na obra: "Barchester Towers".
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